Jornada de Trabalho

Fim da Escala 6x1: Seus Direitos e o Que Muda em 2026

Trabalha 6 dias por semana? Descubra seus direitos na escala 6x1, o que diz a PEC 116/2024, como calcular horas extras e quando você pode recusar essa jornada.

9 min de leitura
Fim da Escala 6x1: Seus Direitos e o Que Muda em 2026

Trabalhar 6 dias por semana com apenas 1 folga está virando passado? A PEC 116/2024 propõe acabar com a escala 6x1, mas enquanto isso não acontece, você tem direitos importantes que muitas empresas ignoram.

Se você trabalha nessa escala, este guia completo vai mostrar exatamente o que a lei garante, como se proteger e o que pode mudar nos próximos meses.

O Que é a Escala 6x1 e Por Que Ela Existe?

A escala 6x1 significa trabalhar 6 dias consecutivos por semana com apenas 1 dia de folga. Essa jornada é permitida pela CLT e muito comum em setores que funcionam todos os dias:

Na prática, ela aparece com frequência em comércio varejista (shopping centers e lojas de rua), restaurantes e bares, hotéis e pousadas, hospitais e serviços de home care, segurança patrimonial, indústrias de produção contínua e postos de combustível e conveniência. São atividades que atendem o público diariamente e, por isso, organizam turnos em todos os dias da semana.

É legal, mas tem limites

A escala 6x1 é permitida pela CLT desde 1943, mas só é válida se a empresa respeitar limites de jornada, pagar horas extras corretamente e garantir descansos obrigatórios. Muitas empresas descumprem essas regras.

A PEC 116/2024: O Que Propõe o Fim da Escala 6x1?

Em 2024, a deputada Erika Hilton apresentou a PEC 116/2024, que concentra quatro pilares centrais: redução da jornada máxima semanal de 44h para 36 horas, manutenção do salário integral mesmo com menos horas trabalhadas, extinção oficial da escala 6x1 e a criação de um novo desenho de jornada com 4 dias de trabalho e 3 dias de descanso por semana. Em síntese, é uma proposta que reorganiza a semana de trabalho sem reduzir remuneração, mirando saúde, produtividade e qualidade de vida.

Situação Atual das PECs (Janeiro 2026)

Duas propostas que tratam do fim da escala 6x1 estão em debate avançado no Congresso Nacional, cada uma em estágio diferente de tramitação e com abordagens distintas para o mesmo problema.

No Senado Federal, a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), encontra-se em estágio avançado de tramitação. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronta para votação em plenário. O texto altera o parâmetro constitucional da jornada semanal, criando um desenho que, na prática, inviabiliza a manutenção da escala 6×1. Por já ter superado a etapa da CCJ, esta PEC está mais próxima de ser votada e potencialmente aprovada.

Na Câmara dos Deputados, tramita a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP). Esta proposta está em discussão em subcomissão especial vinculada à Comissão de Trabalho. O relator Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou seu parecer em dezembro de 2025, mas trouxe uma divergência importante: embora reconheça a legitimidade da pauta sobre redução da jornada, ele rejeita o limite de 36 horas em jornada 5x2 proposto no texto original. Em vez disso, o relator propõe preservar o modelo atual com redução gradual para 40 horas semanais, o que representa uma versão mais moderada da mudança.

O debate revela um conflito central entre diferentes visões sobre o futuro do trabalho no Brasil. Do lado empresarial, há alertas consistentes sobre o aumento de custos operacionais que a mudança traria, especialmente as dificuldades práticas na reorganização de turnos e escalas. Setores como comércio, saúde e segurança argumentam que operam com margens apertadas e que a redução forçada da jornada poderia inviabilizar muitas operações ou forçar demissões em massa.

Já as centrais sindicais apresentam argumentos focados na saúde e produtividade dos trabalhadores. Defendem que a redução da jornada combate a exaustão crônica que afeta milhões de brasileiros, e citam estudos internacionais mostrando que trabalhadores mais descansados rendem mais — o que poderia compensar a redução de horas com aumento de eficiência. Além disso, enfatizam a melhora na qualidade de vida e saúde mental como benefícios sociais inestimáveis.

O governo federal adota uma posição intermediária, tentando construir um meio-termo que reduza a jornada sem causar ruptura abrupta no mercado de trabalho. A estratégia é preservar espaço para negociações setoriais, permitindo que categorias específicas adaptem as mudanças à sua realidade. O objetivo declarado é encontrar um equilíbrio entre a expansão dos direitos trabalhistas e a viabilidade econômica das empresas.

Importante

Mesmo com o avanço das PECs, a aprovação e entrada em vigor podem levar meses ou anos. Enquanto isso, a escala 6x1 continua legal e você precisa conhecer seus direitos atuais.

Seus Direitos Trabalhando na Escala 6x1 (Guia Completo)

Mesmo sendo legal, a escala 6x1 só funciona se a empresa cumprir todas estas regras. Veja o que você pode exigir:

1. Jornada Máxima de 44 Horas Semanais

- Art. 58 da CLT

A jornada normal não pode exceder 8 horas diárias e 44 horas semanais, salvo compensação de horários e redução da jornada.

Modelos de jornada em escala 6x1:

6 dias × 7h20min
44h semanais
✅ Legal
Sem extras
6 dias × 8h
48h semanais
❌ Ilegal
4h extras/semana
5 dias × 8h + 1 × 4h
44h semanais
✅ Legal
Sem extras

Exemplo real: Se você trabalha das 9h às 18h com 1h de almoço (8h/dia × 6 dias = 48h), você tem direito a 4 horas extras por semana = aproximadamente 16 horas extras por mês.

Erro comum das empresas

Muitas empresas colocam jornada de 8h em 6 dias (48h semanais) sem pagar as 4 horas extras. Isso é ilegal e você pode cobrar retroativamente.

2. Descanso Semanal Remunerado (DSR) - Suas Garantias

O descanso semanal remunerado é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal e pela CLT. Você tem direito a 1 folga completa por semana, que deve ser de 24 horas consecutivas de descanso — não pode ser dividida em períodos menores ao longo da semana.

A legislação estabelece que esse descanso deve ser concedido preferencialmente aos domingos, conforme previsto no Art. 67 da CLT. Para trabalhadores que atuam aos domingos regularmente, como no comércio varejista, hospitais e restaurantes, a lei garante que pelo menos 1 domingo por mês seja obrigatoriamente de folga. Vale destacar que as mulheres têm prioridade na escala de folgas aos domingos.

Quando você trabalha no seu dia de descanso semanal, valem duas hipóteses legais: se houver folga compensatória dentro do período ajustado, o dia de trabalho é pago normalmente; se não houver compensação, o dia trabalhado deve ser pago em dobro. O DSR do mês é devido à parte. Muitas empresas confundem essa regra e pagam apenas o valor normal, gerando prejuízos significativos ao trabalhador.

Situação real: Se você trabalha todo domingo no shopping e nunca tem folga aos domingos, pode estar perdendo milhares de reais em adicional de domingo. Em um ano, essas diferenças podem ultrapassar R$ 10.000, considerando todos os reflexos em férias, 13º salário e FGTS. A periodicidade mínima de folgas aos domingos pode variar por setor e por convenção coletiva; no comércio, por exemplo, há regras como um domingo de folga a cada 7 semanas. Sempre verifique a norma coletiva vigente da sua categoria.

3. Intervalo Para Refeição e Descanso

Regras obrigatórias: Para jornadas acima de 6 horas, o intervalo para refeição deve ser de no mínimo 1 hora (podendo chegar a 2, conforme a organização da empresa). Já nas jornadas entre 4 e 6 horas, o período mínimo é de 15 minutos. Esses intervalos não são contabilizados como tempo de trabalho, mas constituem uma obrigação legal que precisa ser rigorosamente respeitada.

Se a empresa não dá intervalo

Não conceder intervalo ou reduzir abaixo do mínimo = empresa deve pagar hora extra com adicional de 50% sobre todo o período de intervalo suprimido.

Exemplo: Se seu intervalo é de 1h mas a empresa só libera 30min, ela deve pagar 30min extras diariamente = 15 horas extras por mês.

4. Trabalho aos Domingos e Feriados - Pagamento Especial

Trabalhar em domingos e feriados tem regras próprias:

Como remunerar corretamente:

  1. Se houver folga compensatória (na mesma semana/período pactuado), o dia trabalhado é pago normalmente
  2. Se não houver compensação, o dia trabalhado deve ser pago em dobro (o DSR mensal permanece devido)

Alguns setores possuem autorização especial para trabalhar aos domingos devido à natureza essencial ou comercial de suas atividades. O comércio varejista, por exemplo, pode funcionar aos domingos quando autorizado por convenção coletiva da categoria. Hospitais e serviços de saúde operam continuamente para garantir atendimento à população. O setor de hotelaria e alimentação também tem permissão legal, assim como os serviços de segurança patrimonial e pública, que não podem ser interrompidos.

- Art. 6º da Lei 10.101/2000

Mesmo com autorização para trabalhar aos domingos, a empresa deve garantir pelo menos um domingo de folga a cada 7 semanas para todos os empregados.

5. Intervalo Entre Jornadas (11h) e 35h de Descanso

- Art. 66 da CLT

Entre duas jornadas diárias deve haver mínimo de 11 horas consecutivas de descanso.

Na prática, quando o DSR é concedido, forma-se um bloco usual de 35 horas seguidas de repouso (24h do DSR + 11h de interjornada). Convocações que quebram esse mínimo de 11h (por exemplo, fechar tarde e abrir muito cedo) geram hora extra e podem configurar infração.

6. Limites de Hora Extra e Banco de Horas

  • Limite diário: até 2h extras por dia; a soma jornada + extras não deve ultrapassar 10h.
  • Banco de horas: exige acordo (individual ou coletivo) com prazo de compensação; a não compensação dentro do prazo gera pagamento com adicional. Regras de compensação e reflexos seguem a jurisprudência (ex.: Súmula 85 do TST).

Atenção ao acordo coletivo

O negociado pode prevalecer sobre o legislado em diversos pontos (Tema 1.046 do STF), desde que preservados direitos constitucionais mínimos. Consulte sempre sua convenção coletiva.

7. Convenção Coletiva e Regras Setoriais

Setores como comércio, saúde, segurança, hotelaria e indústria costumam ter regras específicas para trabalho em domingos e feriados, escalas e compensações. A convenção coletiva da sua categoria ajusta detalhes como periodicidade de domingos de folga, autorização para abertura em feriados e formas de compensação.

8. Adicional Noturno e Atividades Insalubres

  • Adicional noturno: trabalho noturno urbano (22h–5h) tem hora reduzida e adicional; isso impacta o cálculo das horas extras, do DSR e dos reflexos.
  • Insalubridade: a prorrogação de jornada em ambiente insalubre demanda observância específica (à luz de decisões do STF e normas aplicáveis). Empresas frequentemente falham nesse controle.

9. Grupos com Regras Específicas

  • Aprendizes/menores: limitações mais rígidas de jornada.
  • Gestantes e lactantes: direito a intervalo para amamentação; prioridade de folga aos domingos e restrições de atividades.

10. Teletrabalho, Externos e Controle de Jornada

Fraudes de enquadramento no art. 62 da CLT (sem controle de jornada) são comuns. Mesmo no remoto, pode haver controle indireto por metas, sistemas e registros, gerando direito a horas extras.

11. Pausas Ergonômicas (NR-17)

Atividades como teleatendimento e digitadores têm pausas específicas além do intervalo para refeição, previstas na NR-17. A omissão dessas pausas também gera pagamento como tempo à disposição.

Posso Recusar a Escala 6x1? Quando Você Pode Dizer Não

Essa é uma das dúvidas mais comuns. A resposta depende de algumas situações:

Quando a Escala 6x1 Pode Ser Imposta

Se o seu contrato de trabalho ou a convenção coletiva da sua categoria prevê escala 6x1, a empresa pode exigir que você trabalhe nesse modelo. Recusar pode configurar insubordinação.

Quando Você Pode Recusar

Existem situações específicas em que você pode legitimamente recusar a escala 6x1 sem caracterizar insubordinação. A primeira delas ocorre quando você foi originalmente contratado para trabalhar 5 dias e a empresa tenta mudar unilateralmente para 6 dias — a CLT proíbe mudanças contratuais que prejudiquem o empregado.

Se você possui condição de saúde comprovada por atestado médico que não permite jornada extensa ou trabalho aos finais de semana, a empresa deve respeitar a restrição médica e adaptar sua escala. Trabalhadores com guarda exclusiva de criança pequena também podem alegar necessidade de finais de semana livres para cuidados parentais, especialmente quando não há outra pessoa responsável.

Além disso, se você está em período de estabilidade provisória — como gestante, trabalhador em recuperação de acidente de trabalho, ou membro da CIPA — e a mudança de escala prejudica sua rotina de cuidados médicos ou familiares, você pode questionar a alteração judicialmente.

Mudança unilateral é proibida

A CLT proíbe mudanças contratuais que prejudiquem o empregado. Se você foi contratado em escala 5x2 e a empresa quer mudar para 6x1 sem sua concordância, isso é ilegal.

Irregularidades Mais Comuns na Escala 6x1

Atendendo trabalhadores há 15 anos, vejo estas violações se repetirem:

1. Jornada Excessiva Sem Pagamento de Hora Extra

Situação real: Você trabalha das 10h às 19h (8h + 1h almoço) em 6 dias = 48h semanais, mas a empresa só registra 44h.

Seu direito:

  • 4 horas extras por semana = 16h/mês
  • Com adicional de 50% = 24 horas-salário por mês
  • Retroativo aos últimos 5 anos

Exemplo de cálculo:

Salário: R$ 2.000
Valor hora: R$ 2.000 ÷ 220 = R$ 9,09
Hora extra (50%): R$ 13,63
16 horas extras × R$ 13,63 = R$ 218/mês
Em 2 anos: R$ 5.232 + reflexos (férias, 13º, FGTS)

2. Trabalho em Todos os Domingos Sem Adicional

Situação: Trabalha todo domingo no shopping, mas recebe apenas o salário normal.

- Art. 67 da CLT

É assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos.

Seu direito: Pelo menos 1 domingo de folga por mês é obrigatório. Se houver trabalho aos domingos, a empresa deve pagar em dobro com folga compensatória; sem folga, o pagamento é devido em triplo. Em um ano sem folgas aos domingos, as diferenças podem ultrapassar R$ 10.000.

3. Intervalo Para Almoço Suprimido ou Reduzido

Situação: Você só consegue almoçar em 20-30 minutos, ou pula o almoço para sair mais cedo.

Seu direito: Em jornadas acima de 6 horas, o intervalo mínimo é de 1 hora. Caso seja reduzido, a empresa deve pagar 1 hora extra por dia — o que geralmente soma cerca de 30 horas extras por mês — mesmo quando a redução foi “por vontade” do trabalhador.

4. Escala Bagunçada: Mudanças de Última Hora

Situação: Sua folga muda de um dia para outro sem aviso, você é convocado em dias de folga, nunca sabe quando vai folgar.

Seu direito: A escala precisa ser definida e comunicada com antecedência. O cancelamento de folgas pode gerar pagamento em dobro e a falta de previsibilidade pode caracterizar dano moral.

O Debate Sobre o Fim da Escala 6x1: Perspectivas Para 2026

Por Que a Escala 6x1 Está Sendo Questionada?

Dados do movimento #FimDaEscala6x1:

  • 47% dos trabalhadores em escala 6x1 relatam exaustão crônica
  • 62% afirmam que 1 dia de folga é insuficiente para descanso
  • Países desenvolvidos adotam semana de 4-5 dias há décadas
  • Estudos mostram que mais descanso = mais produtividade

A Alternativa: Escala 4x3

A proposta mais discutida como substituta é a escala 4 dias de trabalho × 3 dias de folga:

Como funcionaria:

  • 4 dias de trabalho (segunda a quinta)
  • 3 dias de descanso (sexta, sábado e domingo)
  • Jornada de 9h por dia = 36h semanais
  • Salário mantido integral

Vantagens comprovadas:

Estudos realizados em países que adotaram a semana de 4 dias demonstram benefícios significativos tanto para trabalhadores quanto para empresas. Os trabalhadores apresentaram redução de 30% nos níveis de estresse e relataram melhora substancial na qualidade de vida e saúde mental. Surpreendentemente, a produtividade das empresas aumentou até 20%, pois funcionários mais descansados trabalham com maior foco e eficiência.

Outros benefícios incluem a redução de faltas por doença, já que trabalhadores com mais descanso adoecem menos. As empresas também observaram melhor retenção de talentos, pois a escala atrativa reduz a rotatividade. Além disso, tanto trabalhadores quanto empresas economizam com transporte, já que há menos deslocamentos semanais.

Desafios para implementação:

Apesar das vantagens, a transição enfrenta obstáculos importantes. O principal deles é a resistência do setor empresarial, que teme aumento de custos operacionais. Setores essenciais como saúde e segurança precisariam de adaptações complexas para manter o atendimento contínuo sem prejudicar o serviço.

A implementação pode exigir contratação de mais pessoas para cobrir os dias de folga, o que representa investimento inicial significativo. Além disso, demanda uma reorganização completa de processos, turnos e escalas, o que muitas empresas ainda não estão preparadas para fazer.

Experiências internacionais

Islândia, Espanha e Reino Unido testaram semana de 4 dias com resultados extremamente positivos: empresas mantiveram faturamento, trabalhadores relataram melhor qualidade de vida.

Quanto Você Pode Estar Perdendo? Cálculos Reais

Veja exemplos práticos de quanto você pode ter direito se a empresa descumpre as regras:

Situação 1: Jornada de 48h Sem Hora Extra

Cenário: Trabalha 8h por dia × 6 dias = 48h semanais, mas recebe como se fossem 44h.

Salário: R$ 2.500
Valor hora: R$ 2.500 ÷ 220 = R$ 11,36
Hora extra (50%): R$ 11,36 × 1,5 = R$ 17,04

4 horas extras por semana = 16h/mês
16h × R$ 17,04 = R$ 272,64/mês

Em 2 anos: R$ 272,64 × 24 = R$ 6.543,36
+ Reflexos (13º, férias, FGTS): cerca de R$ 8.500 total

Situação 2: Todos os Domingos Sem Adicional

Cenário: Trabalha todos os domingos sem receber dobrado ou folga compensatória.

Salário: R$ 2.500
Valor do dia: R$ 2.500 ÷ 30 = R$ 83,33
Adicional de domingo: R$ 83,33 × 2 = R$ 166,66

4 domingos × R$ 166,66 = R$ 666,64/mês

Em 1 ano: R$ 666,64 × 12 = R$ 7.999,68
+ Reflexos: cerca de R$ 10.500 total

Situação 3: Intervalo Suprimido

Cenário: Deveria ter 1h de intervalo, mas só tem 30min (30min suprimidos por dia).

Salário: R$ 2.500
Valor hora: R$ 11,36
Hora extra (50%): R$ 17,04

0,5h por dia × 22 dias = 11h/mês
11h × R$ 17,04 = R$ 187,44/mês

Em 2 anos: R$ 187,44 × 24 = R$ 4.498,56
+ Reflexos: cerca de R$ 5.850 total

Atenção ao prazo

Você tem 2 anos após sair do emprego para entrar com ação trabalhista, podendo cobrar os últimos 5 anos de diferenças. Não deixe prescrever!

Alternativas à Escala 6x1

Algumas empresas já adotam modelos mais flexíveis:

Escala 5x2

Trabalha-se cinco dias e folga-se dois. É o modelo mais comum em escritórios e, em geral, garante sábados e domingos livres.

Escala 12x36

Jornadas de 12 horas seguidas com 36 horas de folga. Muito utilizada em hospitais e segurança, pode permitir conciliação com um segundo emprego.

Escala 4x3

Quatro dias de trabalho e três de descanso. Ainda rara no Brasil, segue tendência internacional de redução de jornada.

Impacto da Escala 6x1 na Saúde Mental e Física

A escala 6x1 não afeta apenas sua rotina - pode comprometer seriamente sua saúde. Entenda os riscos e quando procurar ajuda:

Síndrome de Burnout e Jornada Excessiva

Desde janeiro de 2022, a burnout foi reconhecida pela OMS como doença ocupacional (CID-11: QD85). E a jornada 6x1 é um dos principais fatores de risco.

Sintomas de burnout relacionados à escala 6x1:

Os trabalhadores em escala 6x1 frequentemente relatam uma exaustão emocional constante que não melhora nem mesmo após o único dia de folga semanal. No ambiente de trabalho, surge uma dificuldade crescente de concentração, com a sensação de que tarefas simples demandam esforço desproporcional.

O descanso insuficiente também provoca insônia ou sono não reparador — mesmo dormindo, a pessoa acorda cansada. Muitos trabalhadores desenvolvem uma sensação persistente de fracasso ou incompetência, sentindo que nunca conseguem dar conta de todas as responsabilidades. A irritabilidade e impaciência se tornam comuns, afetando relacionamentos pessoais e profissionais.

No aspecto físico, aparecem dores de cabeça frequentes, gastrite e tensão muscular, especialmente nas costas e ombros. Esses sintomas físicos são manifestações do estresse crônico que o corpo acumula sem tempo adequado de recuperação.

Atenção aos Sinais

Se você apresenta 3 ou mais desses sintomas há mais de 2 meses, procure ajuda médica e psicológica urgente. Burnout relacionado ao trabalho pode te dar direito a afastamento pelo INSS e estabilidade de 12 meses.

Consequências Comprovadas da Falta de Descanso

Estudos científicos mostram que trabalhar 6 dias por semana aumenta:

📈 +40% risco de doenças cardiovasculares Aumento de casos de hipertensão, arritmias e infartos precoces; o corpo não tem tempo suficiente para se recuperar entre as jornadas.

📈 +60% risco de transtornos mentais Maior incidência de depressão e ansiedade generalizada; crises de pânico relacionadas ao trabalho se tornam mais comuns.

📈 +35% risco de diabetes tipo 2 O estresse crônico altera o metabolismo; com menos tempo, a alimentação adequada e os exercícios ficam comprometidos.

📈 +50% chance de acidentes de trabalho A fadiga reduz atenção e reflexos; o erro humano cresce com o cansaço acumulado.

Quando Burnout Vira Direito Trabalhista

Se você desenvolve burnout por causa da jornada excessiva, seus direitos incluem:

Afastamento pelo INSS - Auxílio-doença acidentário (B91) ✅ Estabilidade de 12 meses após retorno ao trabalho ✅ Possibilidade de indenização por dano moral e material ✅ Mudança de função se a jornada contribuiu para o problema

Como comprovar a relação com o trabalho:

  • Atestados médicos mencionando fatores laborais
  • Laudo psicológico/psiquiátrico
  • Testemunhas sobre jornada excessiva
  • CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) emitida

Empresa pode recusar afastamento?

Não. Se o médico do INSS constatar nexo causal entre burnout e trabalho, a empresa não pode impedir seu afastamento. Pressão para continuar trabalhando doente pode gerar indenização adicional.

A Importância do Tempo de Qualidade Fora do Trabalho

Um dia de folga por semana é cientificamente insuficiente para recuperação completa:

O que acontece com apenas 1 folga semanal:

  • 🚫 Não há tempo para lazer e hobbies
  • 🚫 Vida social e familiar fica comprometida
  • 🚫 Tarefas domésticas ocupam toda a folga
  • 🚫 Corpo não recupera totalmente do estresse
  • 🚫 Impossível manter rotina de exercícios
  • 🚫 Consultas médicas e compromissos pessoais ficam para "depois"

Resultado: Você vive em modo sobrevivência, nunca em modo vida plena.

Como é no Resto do Mundo: Comparação Internacional

Enquanto o Brasil discute o fim da escala 6x1, veja o que outros países já implementaram:

Islândia: Pioneira na Semana de 4 Dias

O que fizeram:

  • Teste em larga escala: 2.500 trabalhadores (2015-2019)
  • Redução de 40h para 35-36h semanais
  • SEM redução salarial

Resultados:

  • ✅ Produtividade mantida ou aumentada
  • ✅ 86% dos trabalhadores islandeses agora trabalham menos horas
  • ✅ Estresse diminuiu 40%
  • ✅ Equilíbrio trabalho-vida melhorou drasticamente

Portugal: Lei da Semana de 4 Dias (2023)

Implementação:

  • Empresas podem adotar semana de 4 dias voluntariamente
  • Governo oferece subsídios para compensar custos iniciais
  • Jornada: 4 dias × 9h = 36h semanais
  • Salário integral mantido

Status atual (2026):

  • Mais de 300 empresas aderiram ao programa piloto
  • Relatos de redução de 20% na rotatividade de funcionários
  • Trabalhadores relatam melhor saúde mental

Reino Unido: Maior Teste do Mundo (2022-2023)

Programa piloto:

  • 61 empresas (2.900 funcionários)
  • 6 meses de teste
  • 100-80-100: 100% do salário, 80% do tempo, 100% da produtividade

Resultados surpreendentes:

  • ✅ 92% das empresas continuaram com semana de 4 dias após teste
  • ✅ Receita média aumentou 1,4%
  • ✅ 71% dos funcionários relataram menos burnout
  • ✅ Ansiedade e fadiga caíram 65%
  • ✅ Taxa de contratação aumentou (empresas viraram mais atrativas)

Japão: Combate à Cultura "Karoshi" (Morte por Trabalho Excessivo)

Contexto:

  • Japão historicamente tem jornadas brutais
  • "Karoshi" = morte por excesso de trabalho
  • Governo incentiva empresas a reduzirem jornada

Medidas adotadas (2021-2026):

  • Subsídios para empresas que adotam semana de 4 dias
  • Campanha nacional sobre equilíbrio trabalho-vida
  • Limite de horas extras reforçado

Mudança cultural em progresso:

  • Grandes corporações (Panasonic, Microsoft Japão) já testaram 4 dias
  • Microsoft Japão: produtividade aumentou 40% na semana de 4 dias

Espanha: Teste Nacional (2023-2026)

Programa:

  • Governo investiu 50 milhões de euros
  • 200 empresas participantes
  • 3 anos de teste

Aprendizados importantes:

  • Setores criativos e tecnologia: resultados excelentes
  • Indústria e varejo: necessitam mais planejamento
  • Não houve queda de competitividade das empresas

Brasil vs. Mundo: Onde Estamos?

Comparação de jornadas internacionais:

  • 🇧🇷 Brasil: 44h/semana (6x1 comum) - PEC em tramitação
  • 🇮🇸 Islândia: 35-36h/semana - ✅ Maioria adotou 4 dias
  • 🇵🇹 Portugal: 40h/semana (4 dias opcional) - ✅ Programas pilotos
  • 🇬🇧 Reino Unido: 37,5h/semana (tendendo a 32h) - ✅ Empresas privadas adotando
  • 🇩🇪 Alemanha: 35-40h/semana - ✅ Experimentos locais flexíveis
  • 🇫🇷 França: 35h/semana - ✅ Lei desde 2000, discussões avançadas
  • 🇺🇸 EUA: 40h/semana - Algumas empresas testando 4 dias
  • 🇰🇷 Coreia do Sul: 40h/semana (era 52h) - Testes de redução iniciando

Seus Direitos Se a Escala Mudar

Se a empresa decidir mudar a escala de trabalho:

✅ Deve avisar com 30 dias de antecedência ✅ Não pode reduzir salário sem acordo ✅ Mudança prejudicial pode gerar indenização ✅ Você pode recusar mudanças abusivas

Negociação Coletiva

Alterações na escala de trabalho geralmente precisam ser negociadas com o sindicato da categoria.

O Que Fazer Para Garantir Seus Direitos

Se você trabalha em escala 6x1 e identifica qualquer irregularidade, siga estes passos:

Passo 1: Documente Tudo

A documentação é fundamental para comprovar a jornada real e as irregularidades.

Em vez de juntar tudo de uma vez, organize as frentes de prova. Comece pelo controle de jornada: solicite cópia mensal dos espelhos de ponto ao RH e, se não tiver acesso, fotografe o relógio ou cartão de ponto regularmente. Prints de aplicativos de controle também ajudam, assim como registros digitais (logs de sistema, e-mails enviados fora do expediente). Mesmo o chamado “ponto britânico” — horários idênticos todos os dias — pode indicar fraude e servir ao seu favor.

Na comunicação sobre escalas, salve mensagens com convocações em dia de folga, ordens para fazer hora extra e comunicados de mudança de horário. Grupos de trabalho onde escalas são compartilhadas costumam revelar o padrão da jornada real.

Reúna os comprovantes de pagamento: contracheques (idealmente dos últimos 12 meses), recibos e extratos bancários que mostram depósitos. Se houver pagamento parcial de horas extras em alguns meses, isso reforça a inconsistência. A documentação trabalhista — contrato, convenção coletiva e eventuais escalas oficiais — amarra o que foi pactuado com o que de fato acontece.

Inclua testemunhas que trabalham na mesma escala ou que acompanharam sua rotina, além de provas visuais, como fotos do ambiente, crachá e uniforme, e imagens de chegada/saída com horário visível. Vídeos podem mostrar condições de trabalho e ajudar a reconstruir sua jornada.

Ponto eletrônico e registros digitais

A Portaria 671/2021 regulamenta sistemas de ponto eletrônico. Registros de REP, aplicativos e logs de sistemas podem comprovar jornada real e desmentir o “ponto britânico”.

Dica importante

Comece a documentar agora, mesmo que ainda não tenha decidido reclamar. Tire fotos discretas do ponto a cada mês, salve todas as mensagens sobre escalas e horários. Se a empresa tem mais de 10 funcionários e não tem controle de ponto, isso já é uma irregularidade que favorece sua palavra sobre os horários.

Como organizar: Crie uma pasta digital por mês com subpastas para ponto, mensagens e contracheques; faça backup em nuvem; anote horários reais, pausas negadas e convocações em dia de folga; e não apague nada — mensagens antigas frequentemente resolvem casos.

Fiscalização e denúncia

Além da ação individual, é possível denunciar ao MTE e ao MPT. Esses órgãos podem firmar TACs e aplicar multas, pressionando a regularização coletiva da jornada.

Passo 2: Tente Resolver Internamente (Opcional)

Registre sua cobrança por e-mail ou WhatsApp ao RH ou superior, descrevendo as irregularidades e pedindo a regularização. Guarde todos os comprovantes das tentativas — além de demonstrar boa-fé, isso pode encurtar caminhos e até evitar um processo. Não é obrigatório, mas frequentemente ajuda.

Passo 3: Consulte um Advogado Trabalhista

Um advogado especializado vai analisar sua documentação, calcular com precisão os valores devidos (incluindo reflexos), avaliar a viabilidade da ação e definir a melhor estratégia.

Na prática: Com 15 anos de experiência defendendo trabalhadores, posso avaliar seu caso gratuitamente e te mostrar exatamente quanto você tem a receber.

Passo 4: Ação Trabalhista

Se não houver acordo, o processo trabalhista pode ser iniciado ainda empregado (embora isso costume gerar desconforto) ou, como a maioria faz, após a saída da empresa. A duração média varia de 1 a 2 anos e há possibilidade de acordo em audiência.

Trabalha em Escala 6x1 e Suspeita de Irregularidades?

Faça uma avaliação gratuita do seu caso. Vou calcular quanto você pode ter a receber e explicar seus direitos sem compromisso.

Avaliar Meus Direitos Gratuitamente

Atendimento em Curitiba

Meu escritório fica no Água Verde, região central de Curitiba, com fácil acesso por transporte público e estacionamento no edifício. Atendo trabalhadores de toda região metropolitana e, através de correspondentes, também atuo em outras cidades do Paraná e demais estados.

Não deixe seus direitos prescreverem. Entre em contato hoje mesmo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A escala 6x1 vai acabar mesmo em 2026?

A PEC 116/2024 está em tramitação, mas ainda não há data definida para votação. Mesmo se aprovada, levará tempo até entrar em vigor. Por enquanto, a escala 6x1 continua legal.

Posso ser obrigado a trabalhar na escala 6x1?

Se seu contrato prevê essa escala ou se sua categoria tem convenção coletiva permitindo, sim. Mas a empresa deve respeitar todas as regras da CLT (jornada máxima, intervalos, DSR, pagamento correto).

Trabalho 6 dias mas nunca folgo aos domingos. Isso é permitido?

Não. A CLT garante pelo menos 1 domingo de folga por mês. Se você nunca folga aos domingos, tem direito a receber adicional por todos os domingos trabalhados.

Meu contrato era 5 dias, mas a empresa mudou para 6 dias. É legal?

Não sem sua concordância. Mudança unilateral que prejudica o trabalhador é proibida pela CLT (Art. 468). Você pode se recusar e, se for punido, buscar indenização.

Quanto posso receber se a empresa não paga minhas horas extras corretamente?

Depende do seu salário e das horas não pagas. Em média, trabalhadores recuperam entre R$ 5.000 e R$ 15.000 em diferenças de horas extras + reflexos.

Posso processar a empresa enquanto ainda trabalho lá?

Tecnicamente sim, mas é desconfortável. A maioria busca seus direitos após sair do emprego. Lembre-se: você tem 2 anos após a saída para entrar com ação.

Tenho direito a folga no meu aniversário trabalhando em escala 6x1?

Não há lei que obrigue, mas algumas empresas concedem como benefício. Verifique sua convenção coletiva ou política interna da empresa.

Como saber se minha escala está irregular?

Se qualquer uma destas situações acontece, há irregularidade: trabalha mais de 44h semanais sem hora extra; nunca ou raramente folga aos domingos; intervalo de almoço menor que 1h (em jornadas acima de 6h); escala muda constantemente sem previsibilidade; folgas são canceladas com frequência.

Gostou? Compartilhe:
MG

Dra. Mariana Rosa Giongo

OAB/PR 62.20715 anos de experiência

Advogada especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário com mais de 700 casos bem-sucedidos. Pós-graduada em direito do trabalho e previdenciário, atua com foco em acidentes de trabalho, rescisões trabalhistas e defesa dos direitos dos trabalhadores em Curitiba e região metropolitana.

Pós-graduada em Direito do Trabalho e Previdenciário
Fale no WhatsApp