Assédio Moral no Trabalho: Como Identificar e o Que Fazer
Aprenda a identificar situações de assédio moral no ambiente de trabalho, conheça seus direitos e saiba como agir para se proteger e buscar reparação.

O assédio moral no ambiente de trabalho é uma realidade dolorosa que afeta milhares de trabalhadores brasileiros. Humilhações, perseguições e condutas abusivas não são "normais" e você não precisa aceitar isso.
Se você está sofrendo ou sofreu assédio moral no trabalho, saiba que existem formas de se proteger e buscar reparação. Vamos entender juntos como identificar, documentar e agir.
O Que é Assédio Moral no Trabalho?
Assédio moral é a exposição repetitiva e prolongada a situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho. É uma conduta que visa:
- Desestabilizar emocionalmente o trabalhador
- Isolar a pessoa do grupo
- Destruir a autoestima profissional
- Forçar a demissão ou afastamento
Importante Saber
O assédio moral não é um episódio isolado de estresse ou uma bronca pontual. É um padrão de comportamento repetitivo e intencional de humilhação.
Como Identificar o Assédio Moral?
Características Principais
O assédio moral geralmente apresenta estes elementos:
- Repetição: Acontece de forma frequente e sistemática
- Intencionalidade: Há intenção de prejudicar, humilhar ou isolar
- Desequilíbrio de poder: Geralmente vem de superiores hierárquicos
- Dano psicológico: Causa sofrimento, ansiedade, depressão
Exemplos Comuns de Assédio Moral
| Tipo | Exemplos Práticos |
|---|---|
| Humilhação Pública | Gritar, xingar, ridicularizar na frente de colegas |
| Isolamento | Retirar tarefas, não repassar informações, excluir de reuniões |
| Sobrecarga | Exigir metas impossíveis, dar prazos irreais propositalmente |
| Desqualificação | Criticar constantemente, ignorar contribuições, menosprezar |
| Ameaças | Ameaçar demissão constantemente, fazer chantagens |
| Discriminação | Tratamento diferenciado por cor, gênero, idade, orientação sexual |
Sinais de Que Você Pode Estar Sofrendo Assédio
Você pode estar sendo vítima se:
✅ Sente ansiedade extrema ao ir trabalhar
✅ Chora frequentemente por causa do trabalho
✅ Tem problemas de sono relacionados ao trabalho
✅ Desenvolveu problemas de saúde (gastrite, pressão alta, etc.)
✅ Está isolado dos colegas por imposição
✅ É constantemente criticado, mesmo fazendo bom trabalho
✅ Recebe tratamento diferente dos demais sem motivo justo
Se você identificou 3 ou mais desses sinais, é importante buscar ajuda profissional - tanto psicológica quanto jurídica.
Tipos de Assédio Moral
1. Assédio Moral Vertical Descendente
É o mais comum. Chefe ou superior hierárquico assedia o subordinado.
Exemplos:
- Gerente que grita e humilha funcionários
- Supervisor que isola empregado propositalmente
- Diretor que faz piadas ofensivas
2. Assédio Moral Horizontal
Ocorre entre colegas do mesmo nível hierárquico.
Exemplos:
- Colegas que espalham fofocas
- Grupo que exclui propositalmente um membro
- Competição desleal entre pares
3. Assédio Moral Ascendente
Mais raro, mas existe. Subordinado(s) assedia(m) superior.
Exemplos:
- Equipe que boicota novo gestor
- Funcionários que ignoram ordens legítimas sistematicamente
📖 Leia também:
- Reversão de Justa Causa - Se foi demitido após denunciar assédio
- Acidente de Trabalho - Assédio pode causar doenças ocupacionais
💡 Dica útil: Se além do assédio você também trabalha horas extras não pagas, calcule seus direitos usando nossa Calculadora de Horas Extras.
4. Assédio Moral Organizacional
A própria empresa tem práticas institucionalizadas de assédio.
Exemplos:
- Metas impossíveis para todos
- Cultura de humilhação como "motivação"
- Punições públicas sistemáticas
Consequências do Assédio Moral
Para o Trabalhador
Saúde Mental:
- Depressão
- Ansiedade e síndrome do pânico
- Estresse pós-traumático
- Baixa autoestima
Saúde Física:
- Dores de cabeça e enxaqueca
- Problemas gastrointestinais
- Hipertensão
- Insônia
Vida Profissional:
- Queda de produtividade
- Faltas por questões de saúde
- Dificuldade de concentração
- Medo de buscar novos empregos
Para a Empresa
Empresas que permitem assédio moral enfrentam: alta rotatividade, queda de produtividade, processos judiciais caros e danos à reputação.
Quais São Meus Direitos?
1. Rescisão Indireta (Demissão Indireta)
Se o assédio tornou impossível continuar no emprego, você pode pedir rescisão indireta - é como se a empresa te demitisse sem justa causa.
Você recebe:
- Aviso prévio
- 13º salário proporcional
- Férias + 1/3
Calcule seus direitos: Use nossa Calculadora de Rescisão para estimar o valor que você tem a receber.
- FGTS + multa de 40%
- Seguro-desemprego
2. Indenização por Danos Morais
Você pode receber indenização pelo sofrimento causado.
Valores variam conforme:
- Gravidade do assédio
- Tempo de duração
- Consequências para sua saúde
- Condição econômica da empresa
| Gravidade | Faixa de Valor (Referência) |
|---|---|
| Leve | R$ 5.000 - R$ 15.000 |
| Moderado | R$ 15.000 - R$ 50.000 |
| Grave | R$ 50.000 - R$ 150.000 |
| Gravíssimo | Acima de R$ 150.000 |
Estes valores são apenas referência. Cada caso é único e o juiz analisa todas as circunstâncias específicas.
3. Indenização por Danos Materiais
Se você teve gastos por causa do assédio:
- Tratamento psicológico/psiquiátrico
- Medicamentos
- Consultas médicas
- Perda de oportunidades profissionais
Você pode ser ressarcido por esses valores.
Prazos Importantes
Atenção ao Prazo
Você tem 2 anos após a rescisão do contrato para entrar com ação trabalhista. Não deixe seus direitos prescreverem!
Se ainda está empregado:
- Pode denunciar a qualquer momento
- Pode pedir rescisão indireta
- Não há prazo de prescrição enquanto durar o vínculo
Empresas Podem Prevenir o Assédio?
Sim! Empresas sérias implementam:
✅ Código de conduta claro
✅ Treinamentos sobre assédio moral
✅ Canal de denúncias confidencial
✅ Investigação imparcial de denúncias
✅ Punição de assediadores
✅ Cultura de respeito
Se sua empresa não tem essas medidas, ela pode ser responsabilizada mais facilmente em processos judiciais.
O Que Fazer Para Garantir Seus Direitos
Se você está sofrendo assédio moral no trabalho, siga estes passos:
Passo 1: Documente Tudo
Esta é a etapa mais importante. Sem provas, fica difícil comprovar o assédio.
📸 Documentação principal:
✉️ Comunicações escritas: Guarde e‑mails ofensivos, mensagens de WhatsApp/Telegram/SMS, prints de grupos de trabalho, ordens contraditórias ou impossíveis e mensagens fora do horário.
📝 Diário detalhado dos episódios: Registre data/hora, local, palavras e ações (transcritas fielmente), testemunhas, impacto emocional e a frequência — o padrão repetitivo caracteriza o assédio.
🎥 Áudios e vídeos: Inclua gravações de reuniões (observe a legalidade), vídeos de humilhações e prints de sistemas internos.
🏥 Documentação médica: Reúna atestados de ansiedade/depressão, receitas de psicotrópicos, laudos psicológicos/psiquiátricos, relatórios que vinculem sintomas ao trabalho e internações/afastamentos.
👥 Testemunhas: Liste colegas que presenciaram humilhações, pessoas que notaram mudanças e outras testemunhas dos fatos — quanto mais, melhor.
📊 Outros documentos: Anexe avaliações antes/depois, denúncias ao RH/canal de ética, respostas (ou silêncio) do RH e contracheques com alterações injustificadas.
Dica Importante
Crie um arquivo (físico ou digital) separado e organizado. Anote: quando aconteceu, onde, quem presenciou, o que foi dito/feito exatamente. Comece a documentar agora, mesmo que ainda não tenha decidido buscar seus direitos. Um único episódio isolado não caracteriza assédio, mas um padrão repetitivo sim.
Cuidados importantes: Não apague nada, faça backup em nuvem/e‑mail pessoal, seja discreto e guarde originais (prints podem ser questionados).
Passo 2: Busque Apoio Médico
- Consulte um psicólogo ou psiquiatra
- Relate ao profissional o que está acontecendo no trabalho
- Guarde todos os atestados e receitas
- Esses documentos serão importantes como prova
Passo 3: Tente Resolver Internamente (Opcional)
Registre a situação através dos canais oficiais:
- RH ou Departamento Pessoal por e-mail
- Canal de denúncias (se houver)
- E-mail formal para superiores
- Guarde comprovante de todas as comunicações
Por que fazer isso: Demonstra boa-fé e pode resolver o problema, mas não é obrigatório.
Algumas empresas tentam demitir por justa causa após denúncia de assédio. Isso pode configurar retaliação. Veja como proteger seus direitos em reversão de justa causa.
Passo 4: Consulte um Advogado Trabalhista
Um advogado especializado vai:
- Avaliar se seu caso configura assédio moral
- Analisar toda a documentação
- Calcular os valores de indenização
- Orientar sobre rescisão indireta
- Negociar com a empresa ou entrar com ação judicial
Na prática: Com 15 anos de experiência defendendo vítimas de assédio moral, posso avaliar seu caso gratuitamente e te mostrar exatamente quais são seus direitos.
Está Sofrendo Assédio Moral no Trabalho?
Não fique em silêncio. Entre em contato para uma avaliação gratuita e confidencial. Vou te explicar seus direitos e as melhores estratégias para o seu caso específico.
Conversar com a Dra. MarianaAtendimento em Curitiba
Meu escritório fica no Água Verde, região central de Curitiba, com fácil acesso por transporte público e estacionamento no edifício. Atendo trabalhadores de toda região metropolitana e, através de correspondentes, também atuo em outras cidades do Paraná e demais estados.
Não deixe seus direitos prescreverem. Entre em contato hoje mesmo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Uma bronca do chefe é assédio moral?
Não necessariamente. Críticas construtivas e pontuais fazem parte da gestão. Assédio é quando há repetição, humilhação pública e intenção de prejudicar.
Preciso estar demitida para processar?
Não. Você pode entrar com ação mesmo estando empregada, mas na prática muitos trabalhadores preferem aguardar a rescisão para não prejudicar o ambiente de trabalho.
E se não tenho provas muito fortes?
Seu relato e testemunhas também são provas. Mas é importante ter ao menos alguns elementos documentados (e-mails, mensagens, atestados).
A empresa pode me demitir se eu denunciar?
Demissão retaliadora é ilegal e pode gerar indenização adicional. Mas na prática, infelizmente, acontece. Por isso muitos trabalhadores consultam um advogado antes de denunciar internamente.
Dra. Mariana Rosa Giongo
Advogada especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário com mais de 700 casos bem-sucedidos. Pós-graduada em direito do trabalho e previdenciário, atua com foco em acidentes de trabalho, rescisões trabalhistas e defesa dos direitos dos trabalhadores em Curitiba e região metropolitana.
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